Recebemos algumas perguntas como parte de um trabalho do Cursos de Ciências Políticas da UEM segue as perguntas já respondidas por Thiago Silva.
1) Quais as vantagens da sua função?
Bom teoricamente, do ponto de vista prático, não há vantagem alguma. Sou presidente da Juventude em Curitiba e não recebo por isso. A vantagem é o prazer de fazer política e ainda acreditar que os jovens possam fazer política.
2) E as desvantagens?
É o fato de trabalhar com uma juventude brasileira que não acredita mais na política, e nem no poder que ela tem em se unir em causas comuns como a geração de nossos pais.
3)Sabendo que as relações de poder determinam o funcionamento da sociedade, em sua opinião, o que justifica tantas pessoas serem comandadas por tão poucas?
O Brasil é um país com grande representação política. Temos vereadores e prefeitos no âmbito do ministério público municipal; partindo para a esfera estadual, contamos com juízes estaduais, e por fim com deputados, senadores, ministérios e juízes. Acredito talvez que o importante não é a quantidade de pessoas no comando, mas a qualidade deste comando e seu funcionamento prático.
4)Que sugestão você daria para trabalhar com aqueles profissionais que fogem aos padrões de normalidade dentro do trabalho que vc administra?
5)Em sua opinião, nossa Constituição é suficiente para a garantia dos direitos do cidadão? Justifique.
A constituição foi boa para o cidadão que viveu anos sob o regime de repressão do governo militar. Talvez nos anos seguintes de liberdade nossa constituição foi ótima na alma da população. Mas defendo uma reforma constitucional plena, por acreditar que a Constituição já não garanta os direitos que encontramos nela. A sociedade e suas percepções dela mesma mudam e o governo precisa acompanhar estas mudanças. Aborto, maioridade penal, direitos e deveres devem ser revistos e ampliados. Embora uma nova constituição, por si só, não garantirá todos os direitos aos cidadãos. Penso que só a constituição, atualmente, não é suficiente para garantir direitos e deveres dos cidadãos.
6)Que assunto lhe é polêmico no momento? Por que?
No Brasil quase tudo é polêmico. Atualmente, a luta do movimento GLBTS é o maior debate a ser feito. Mais é preciso o desarme total do preconceito e até do próprio movimento que luta por seus direitos.
7)O que você acha do nosso sistema de governo? Prefere outra maneira?
Teoricamente ele é bom. É preciso uma reforma política e uma reforma dos políticos.
8)Que sugestões você daria para o fim da corrupção na política?
Acabar com a reeleição. Nosso sistema é representativo e não profissionalizado, ou terceirizado, ou seja, não podemos ter ou sempre confiar em x ou y candidato. Na Grécia, inventora da política, o cidadão poderia apenas uma vez na vida representar os seus na assembléia, podendo ser escolhido para esta nova representação apenas uma vez. A corrupção nasce ai, nesta busca pelo poder para ter as facilidades dele. O financiamento das campanhas vem logo em seguida da reeleição. Ter um ou vários políticos eleitos ajudam muito as empresas que bancam estas campanhas milionárias, que podem então cobrar os benefícios de terem “seus” representantes no poder certo na hora certa.
9)Para o advogado Alberto Torres "Um povo é reflexo de seus governantes". Que posição você tem em relação a esta colocação?
Bom, não posso concordar plenamente com o advogado. Com certeza o ‘jeitinho” brasileiro é uma grande influencia negativa no dia a dia do brasil. Nós brasileiros estamos na verdade acomodados com nossos governantes. Parte por sabermos que a justiça é lenta e sempre isenta os políticos e parte por acomodação normal da vida que se dá pela liberdade do país e a estabilidade e mobilidade financeira de boa parte da população.
10)Qual é o melhor caminho para que o povo ao votar o faça de forma consciente e não influenciada por favores?
Difícil. Todos trocam seus votos, por menor que seja o favor que venha do candidato. E isso não se da só no interior não. É comum ouvir “e o que eu ganho com isso?” E sempre as pessoas querem um jeitinho para resolver algo em grandes cidades. Eu, particularmente, acredito na educação da população. Se faz necessário investir na educação política e cultural das crianças. Fazer delas os novos pensadores e fazer com que entendam que desde pequenas a política já faz parte da vida diária delas, e que suas escolhas e atitudes influenciam na sociedade. Fundamental é investir na nova geração de cidadãos.
Acompanhar as leis e o dia a dia da política é importante também, de uma forma mais rápida e prática, a mídia tem papel fundamental, uma vez que a mesma só acompanha este dia a dia quando este está ligado a grandes escândalos e denúncias e deveria acompanhar de perto o dia dia e a vida dos políticos.
11) O que vc acha do aborto e da lei seca?
Um plebiscito é a melhor forma de se definir esta questão. Eu defendo esta prática em casos muitos salvos, tais como os estupros, abusos e quando a gestação pode tirar a vida da mãe.
A lei seca é a típica lei criada para controlar a sociedade, que já perdeu seu domínio sobre uma atitude que comprovadamente é prejudicial e perigosa a sociedade e ao cidadão. É um controle preventivo do estado para com as atitudes do cidadão. Do ponto de vista prático é aceitável uma vez que se comparado os números de acidentes e mortes antes e depois da lei, é visível a diferença para menos, e isso é muito bom.